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Casapueblo e a Cerimônia ao Sol

Casapueblo era a única visita turística que eu fazia questão em toda a viagem ao Uruguai. Uma mistura de Gaudí com Dalí, o lugar parecia fenomenal ainda de fora. Localizada numa península de arrancar vários suspiros, um atrás do outro, Punta Ballena era o cenário de fundo. Confesso ter ficado bastante nervosa ao deparar com essa mistura de museu, hotel e galeria de arte.

Havia chovido o dia todo e era nossa última noite em Punta del Este. Eram 19:05 e surgia um pequeno esboço de que as nuvens talvez fossem embora  e a famosa Cerimônia ao Sol , que acontece diariamente naquele lugar, logo seria presenciada por nós. Era agora ou nunca.

Entre labirintos, obras de arte, um bar, as vistas do mar, uma piscina e a música de Caetano Veloso, lá estavamos nós. A nuvem gigante que ía de ponta a ponta no céu,  tampava o sol que todos esperavam. Enquanto isso, a galeria repleta de obras, quadros, gravuras, colagens e cerâmicas mostrava um pouquinho quem era esse uruguaio Carlos Páez Vilaró.

Por um momento, todos os visitantes se moveram para as varandas e para o bar, o silêncio encheu nossos ouvidos. A vista era magnífica, o vento e os pássaros voando ao nosso redor. O espetáculo começava. Ele o Sol, iluminando tudo com sua luz laranja cheia de beleza. Decidi esquecer dos registros fotográficos e curtir apenas aquele momento.

O vento trazendo o cheiro de maresia acompanhado da enlouquecedora dança das sombras que a arquitetura rica em traços e detalhes proporcionava. Eu estava em êxtase. A última vez que estive em um lugar tão fotogênico e tocante, tinha sido há muitos e muitos anos atrás, Santorini.

A luz se movimentava tão rápido quanto o Sol que ia descendo no horizonte, ela mudava todo o cenário a cada minuto que passava. Onde era sombra antes, já não era mais. As cores do céu, do mar e de todo o restante também mudava.

“É uma conversa com o sol, meu amigo mais antigo”, explica Vilaró. O companheiro de anos, segundo ele, é o astro com o qual, não importa em que parte do mundo estivesse em suas viagens, sempre encontrava. “Te encontrei no Taiti e na África, estou te olhando e vejo que não mudou”, diz a narração do artista gravada em fita e filme.

Era um momento mágico, ninguém respirava, não havia um único barulho, além da voz de Vilaró. “Trabalhadores, estivadores , pescadores esperam por você em outras regiões onde a noite desaparecer com sua chegada…Obrigado Sol, por provocar me uma lágrima, pensando que iluminaste também a vida dos nossos avós , nossos pais e todos os entes queridos que não estão mais conosco … Amanhã te espero novamente.”

E assim , enquanto terminavam as palavras gravadas, um sentimento nostálgico nós fez ficar ali, parados  em silêncio durante alguns minutos, olhando o Sol e o Mar.

Foi lindo!

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